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Simplificando as coisas, o nosso organismo apresenta uma ampla rede de distribuição sanguínea constituída por artéria, veias e capilares. O nosso cérebro não foge do mesmo contexto sendo fornecido seu suprimento através de duas grandes artérias anteriores chamadas de artérias carótidas internas e duas grandes artérias posteriores chamadas de artérias vertebrais.

Diferentemente dos demais sistemas do corpo o cérebro apresenta uma rede de comunicação entres elas formando uma circulação única na qual a falha de um sistema permite a tentativa do outro de suprir o território cerebral em sofrimento impedindo assim sequelas neurológicas graves. Esta circulação chama-se Polígono de Willis. Sendo assim dispomos desta circuitaria na tentativa de evitar acidentes vasculares encefálicos.

A Doença de Moyamoya representa um estado inflamatório crônico dos grandes troncos cerebrais, ou seja, artérias carótidas e suas grandes emissárias (cerebral anterior, cerebral média) gerando a oclusão das mesmas e impedindo o fornecimento sanguíneo para o cérebro causando acidentes vaculares cerebrais isquêmicos.

Tais fenômenos têm preferência por doentes com anemia falciforme e descendentes asiáticos sendo geralmente mais grave quando acomete o sexo masculino em relação ao feminino. O desenvolvimento neurológico depende sobremaneira do tratamento da doença de base como, por exemplo, a anemia falciforme bem como das terapias de revascularização cerebral possíveis. Como formas de aumento de aporte sanguíneo e consequentemente de oxigênio e glicose temos a revascularização indireta, ou seja, utilizamos outras formas para atingir o objetivo ou as diretas nas quais levamos outras artérias para fornecer maior fluxo sanguíneo.

A título de curiosidade nas indiretas colocamos o tecido muscular envolvido na mastigação em íntimo contato com o córtex cerebral permitindo assim que o próprio músculo ou as artérias colaterais que vão se desenvolver façam o papel de aumento de se suprimento.

Assim como já era de se imaginar o acréscimo no aporte não é vigoroso estando indicada para aquelas crianças que já apresentam certo fluxo colateral pelo diagnóstico tardio ou pela longa evolução da doença. Já para as crianças que tem falência circulatória as anastomoses arteriais são mais indicadas podendo ser anastomoses curtas, ou seja, com artérias externas ao crânio ou com anastomoses longas envolvendo a conexão com artérias de grande calibre da região do pescoço. Já nas anastomoses há o risco de trombose da anastomose ou do enxerto tornando assim não resolutiva a cirurgia diferentemente das revascularizações indiretas que irão de certa forma atingir seu papel ao longo do tempo.

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Revascularização direta curta

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