Neurocirurgia pediátrica

O especialista médico incumbido de fazer o diagnóstico e tratamento do sistema nervoso central das crianças é o neurocirurgião pediátrico. Por se diferir dos adultos, as estruturas cerebrais nos primeiros anos de vida são tratadas exclusivamente por esse profissional. Conheça detalhadamente as suas principais atribuições.

 

O neurocirurgião pediátrico é o médico responsável pelo diagnóstico e tratamento de doenças neurológicas em crianças. Como se sabe, as doenças do sistema nervoso central (cérebro, cerebelo e tronco encefálico) e periférico (nervos) se diferem entre pacientes que estão na infância e pacientes adultos. 

Em pessoas mais velhas, os problemas neurológicos se concentram basicamente em patologias cerebrovasculares (acidente vascular cerebral e aneurisma), doenças degenerativas na coluna (hérnia de disco) e tumores cerebrais. 

Nos primeiros anos de vida, as doenças neurológicas geralmente se manifestam por meio de malformações congênitas da estrutura craniana (craniossinostoses, encefaloceles), espinhais e hidrocefalias. Os tumores cerebrais durante a infância também são diferentes se comparados com a patologia em pessoas mais velhas. 

Nas crianças, a localização e o agravamento do tumor se diferem. Geralmente, a doença na infância se desenvolve próximo do cerebelo e do tronco cerebral, na região conhecida como fossa posterior. Além disso, dificilmente os casos de tumor apresentam metástase. Porém, a cirurgia realizada pela neurologia infantil é mais complexa no que concerne à estrutura nervosa em desenvolvimento. Esse agravante permite mais chances de hemorragias durante o procedimento.

Por isso é válido ressaltar que a neurologia e a neuropediatria se diferem e, portanto, merecem especializações distintas. 

Se não bastasse tudo isso, a neurologia infantil é responsável pelo acompanhamento intelectual e neurológico, desde os primeiros meses de vida, até a fase púbere. Por meio de exames específicos de análise motora e cognitiva, é possível identificar possíveis doenças neurológicas e intelectuais na criança.

Não é por menos que muitas crianças são levadas para o consultório de neuropediatria, em virtude de problemas de aprendizado. Dificuldade escolar, dores de cabeça regulares, hiperatividade, tiques nervosos, epilepsia, gagueira, traumatismo, meningite, deformações cranianas, autismo, paralisia cerebral e atrasos cognitivos são as principais causas para uma visita ao neurocirurgião pediátrico.

As doenças neurológicas tratadas por essa especialidade se dividem em dois tipos distintos: congênitas (presentes desde o nascimento) e adquiridas.

Congênitas

Confira os principais tipos de doenças neurológicas adquiridas antes do nascimento:

Hidrocefalia - Ocorre quando há um grande acúmulo de líquido cefalorraquidiano (que protege o cérebro e a medula de traumas, também conhecido como líquor) nas cavidades ventriculares cranianas. O excesso desse líquor contribui para que haja pressão intracraniana e, sucessivamente, comprometimento do tecido cerebral. A doença pode se manifestar tanto antes do nascimento, como pode ser adquirida depois. Caberá ao neuropediatra fazer o acompanhamento específico para cada paciente.

Cranioestenose - Esse tipo de patologia se manifesta quando as suturas do crânio se fecham prematuramente. Sendo assim, a cabeça do bebê cresce de forma desordenada, contribuindo para a sua malformação. Existem vários tipos de craniostenoses, as principais são: trigonocefalia (fechamento da sutura frontal); plagiocefalia anterior (fechamento da sutura coronal unilateral); plagiocefalia posterior (fechamento da sutura occipital unilateral); e branquicefalia (fechamento da sutura coronal bilateral).

Disrafismos espinhais - Esse tipo de doença tratada pelo neurocirurgião pediátrico consiste na malformação da coluna e medula espinhal. O termo é atribuído para desordens causadas por fusões incompletas ou ausentes das estruturas espinhais do paciente.

Adquiridas

Como o próprio nome se refere, esses tipos de doenças neurológicas são adquiridas depois do nascimento. Confira as principais patologias atribuídas pela neurologia infantil:

Tumor - Os tumores são massas celulares que crescem de forma desordenada. Por serem no cérebro, os tumores pediátricos, sendo benignos ou malignos, devem ser diagnosticados e tratados o quanto antes, a fim de evitar comprometimentos no tecido celular. Cabe ao neuropediatra esse tipo de avaliação, baseado nos sintomas dos pacientes, e em exames clínicos e de imagem.

Traumatismo - Esse talvez seja um dos problemas mais recorrentes nos consultórios de neurologia infantil. Afinal, os acidentes com traumatismo envolvendo crianças são considerados comuns. O especialista se responsabiliza pela identificação do problema, e pelo respectivo tratamento que a criança acidentada deverá se submeter. Em alguns casos, cirurgias são recomendadas.

Infecções - Infecções virais do sistema nervoso central em crianças geralmente são causadas por meningite ou encefalite. Um dos meios mais comuns para diagnóstico da doença é a punção lombar. De forma geral, esse procedimento é realizado por um profissional de neuropediatria.  Inclusive todo o tratamento também é indicado pelo neurologista infantil.

Procedimentos cirúrgicos

Existem alguns tipos específicos de cirurgia designadas pela neuropediatria. Cada uma envolve doenças e procedimentos distintos. Conheça as principais:

Microcirurgia para tumor cerebral - É quando o médico realiza a ressecção tumoral, preservando assim o tecido cerebral do paciente pediátrico. 

Neuroendoscopia - Esse procedimento pouco invasivo se utiliza de tecnologia endoscópica introduzida por meio de uma pequena perfuração no crânio. Dessa forma, o neurocirurgião responsável terá imagens dos ventrículos cerebrais no monitor da sala de operação. Sua finalidade é chegar até os ventrículos cerebrais do paciente. Muitas vezes é utilizado em casos de hidrocefalia.

Cranioplastia - Se refere à correção das malformações cranianas (cranioestenoses). É amplamente utilizada para finalidade clínica e estética do paciente. Se realizada de forma tardia, a criança poderá sofrer problemas de aceitação social.

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