Problemas Comuns

O que é?

A Encefalocele é uma malformação que acontece no momento do desenvolvimento do tubo neural, uma estrutura embrionária que forma o sistema nervoso do bebê.

Basicamente, a Encefalocele é um defeito no fechamento desse tubo, causado pela presença de uma falha óssea (um espaço fica aberto no crânio) e a saída de tecido cerebral ou meninges por esse local.

O processo forma uma espécie de bolsa do lado de fora da cabeça da criança, uma hérnia. O tamanho e a gravidade variam de caso para caso.

Quais as causas?

Não existe um consenso dos especialistas sobre as causas da Encefalocele. Algumas hipóteses apontam como possíveis causas a radiação, hipóxia (baixa concentração de oxigênio) e outros agentes teratogênicos (substâncias ou agentes físicos que interferem na estrutura ou função do embrião).

Mais sobre a Encefalocele

A Encefalocele pode acontecer em qualquer parte do crânio, como nas regiões do nariz e testa, mas costuma aparecer com mais frequência na parte de traz da cabeça, perto do pescoço.

Existem três classificações para os casos de Encefalocele, que variam de acordo com o conteúdo que compõe a bolsa herniada.

O primeiro tipo é a Meningocele craniana. Esse é o caso com menor gravidade porque o conteúdo que fica para fora do crânio é composto apenas por meninges (membranas que revestem o sistema nervoso). O líquido que preenche a bolsa é o cefalorraquidiano, uma solução transparente como a agua.

A segunda classificação é a Meningoencefalocele. A gravidade aumenta nesse caso porque, além das meninges, uma parte do encéfalo (cérebro ou cerebelo) também é herniada.

O terceiro tipo é a Meningohidroencefalocele (ou apenas Hidroencefalocele). Aqui, a herniação das meninges e do encéfalo leva junto extensões do sistema ventricular.

Caso ocorra este tipo de malformação em outra parte do tubo neural, fora do crânio, têm-se então a formação de uma mielomeningocele, que seria similar a encefalocefe porém o componente herniário seria a medula ao invés do cérebro.

Sintomas e Diagnóstico

A Encefalocele costuma ser identificada já na gestação, no período pré-natal, por meio dos ultrassons, principalmente nos que são realizados entre a 18ª e 20ª semana. Se o médico obstetra observar alguma alteração suspeita de Encefalocele, a mãe deve ser encaminhada para um neurocirurgião pediátrico, que vai acompanhar o desenvolvimento da condição durante toda a gravidez.

Nos bebês que não receberam o diagnóstico no período pré-natal, é possível detectar a Encefalocele logo após o parto, justamente por ser uma condição visível.

Depois do nascimento, o neurocirurgião pode solicitar um exame complementar, uma ressonância magnética ou ultrassom no local para avaliar exatamente o tipo de Encefalocele e sua gravidade.

A criança que nasce com a Encefalocele apresenta alguns sintomas recorrentes: cabeça pequena, convulsões, acúmulo de líquido no cérebro, atraso no desenvolvimento motor, entre outros.

Tratamentos

O tratamento indicado para a Encefalocele é a cirurgia logo após o nascimento. Ela tem o objetivo de extrair o saco herniário (a bolsa que fica para ‘fora do corpo’), reparar a membrana afetada, fazer o fechamento da abertura óssea e, se necessário, realizar uma cirurgia plástica no local lesionado.

Os métodos, duração e técnicas necessárias na cirurgia são definidas após um diagnóstico detalhado que leva muito em conta o tipo e a localização exata da Encefalocele.

O pós-operatório é bastante delicado e varia de caso para caso. Como a Encefalocele pode ter alterado alguma função neurológica (que não é corrigida com a cirurgia por ser permanente), o paciente pode precisar de tratamentos multidisciplinares durante a fase de crescimento, como fisioterapia e fonoaudiologia, a fim de ajudar no desenvolvimento neuropsicológico, socialização e qualidade de vida dos pacientes.

Alguns casos apresentam complicações de hidrocefalia aguda (acúmulo de líquido dentro do crânio) e fístula líquorica (vazamento de líquor).

Não existem métodos comprovados de prevenção da Encefalocele, mas estudos mostraram que a suplementação de ácido fólico (vitamina B9) reduziu as deficiências na formação do tubo neural. Para fazer essa suplementação é necessário procurar um médico.

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