Problemas Comuns

O que é?

A hidranencefalia é uma anomalia congênita (derivada do período pré-natal) caracterizada pela ausência de hemisférios cerebrais (direito e esquerdo). No lugar, encontra-se líquido cefalorraquidiano (fluído com aparência aquosa encontrado na porção intracraniana). O diagnóstico poderá ser constatado durante o exame de transiluminação.

A análise por meio de luz brilhante identifica que a área que compreende o córtex (responsável pelas principais manifestações humanas) se reduz apenas a uma primária membrana translúcida predominantemente líquida. Ou seja, o paciente não apresenta tecido cerebral.

Esse tipo de condição é conhecido por ser uma espécie de porencefalia mais severa e ainda mais rara. Ela tem origem em doenças que a mãe eventualmente adquiriu em circunstancias infecciosas, lesionais e envenenamento por monóxido de carbono durante a gestação.

Apesar de muitas vezes ser confundida com a anencefalia, caracterizada pela ausência total do cérebro, a hidranencefalia se diferencia dessa ordem, já que o tronco cerebral se encontra preservado, permitindo assim condições básicas de sobrevivência ao bebê. Inclusive, essa anomalia chega a ser mais grave do que a própria porencefalia e a esquizencefalia, ambas originadas por mutações genéticas.

Na hidranencefalia, a criança comumente nasce e se desenvolve de forma habitual até as primeiras semanas, quando passa a apresentar quadro de sintomas. Apesar do alto grau de mortalidade, a medicina moderna conseguiu ampliar a vida de alguns pacientes que puderam viver por anos com a condição.

Quais as causas?

A literatura médica não pontua com exatidão as causas da doença. Porém, é unânime que ela está associada a padecimentos da progenitora no decurso da gravidez.

Elas podem ter causa na origem infecciosa intra-uterina como no caso de mulheres que sofreram com sífilis, toxoplasmose, adenovírus, parvovírus, listeriose, hepatite infecciosa, herpes simples e até gripe a partir do primeiro trimestre de gestação.

Além disso, a hidranencefalia também está associada com distúrbios traumáticos, ocasionado por tentativas malsucedidas de aborto por métodos mecânicos.

A exposição da mãe a altos níveis de inalação por monóxido de carbono, também é um fator que contribui com o surgimento da condição nos fetos. Não é por menos que cidades com grandes índices de poluição possuem uma incidência superior da doença, em relação a outros municípios.

Na década de 1980, por exemplo, a cidade paulista de Cubatão - localizada na Baixada Santista - foi conhecida pela alarmante incidência de bebês que nasciam com problemas neurológicos, em virtude da exposição excessiva a poluentes, tal como o monóxido de carbono.

Sintomas

Como destacado no começo deste artigo, a criança que não foi diagnosticada no período pré-natal, pode nascer sem problemas de desenvolvimento. No decorrer das semanas, o bebê acometido pela anomalia apresenta irritabilidade, atraso nos marcos neurológicos, aumento progressivo anormal do perímetro cefálico, distúrbios de deglutição, infecções (principalmente pneumonias recorrentes), aumento significativo em seu tônus muscular e, eventualmente, epilepsia.

A partir dessas constatações é possível identificar a ausência no desenvolvimento mental e físico na criança.

Perdas nos sentidos, principalmente o auditivo e o visual, além de paralisia e de retardamento mental podem ser apresentados diante desse quadro clínico.

Diagnóstico

A mãe que, por ventura, adoeceu por alguma infecção, esteve exposta a envenenamento por monóxido de carbono ou sofreu com algum tipo de trauma intra-uterino durante a gestação, deve imprescindivelmente realizar um acompanhamento junto ao seu médico. Essa norma preventiva assegura a sobrevida do bebê, caso o padecimento da progenitora ocasione uma hidranencefalia comprovada. O exame ultrassonográfico será fundamental para a determinação da doença, ainda mesmo na barriga da mãe.

Já o diagnóstico realizado depois do nascimento da criança é comumente feito por transiluminação. Esse tipo de análise é executado dentro de uma sala escura, sob forte iluminação irradiada na cabeça do paciente. Dessa forma será possível verificar qualquer desordem sob a pele.

Além disso, exames mais convencionais como ultrassonografia e ressonância magnética também contribuem com a identificação da doença.

Tratamento

Infelizmente não é possível reverter o quadro de hidranencefalia. De fato, alguns recursos podem contribuir para que o paciente ganhe um pouco de qualidade de vida. Portanto, é importante saber que o tratamento para a anomalia é apenas sintomático e de apoio.

Entretanto, mesmo com a incidência baixa, o número de pacientes com sobrevida acima do primeiro ano de idade aumentou consideravelmente na última década.

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